Recentemente, recebi um convite do Edhi Colucci para um jantar, com alguns convidados da comunidade incrível dele. E, por mais simples que parecesse, aquilo mexeu comigo, porque fazia tempo que eu não me permitia viver algo fora da maternidade.

Não foi sobre o lugar, nem sobre o tempo. 

Foi sobre me ver ali, sentada, conversando, existindo fora de tudo que eu preciso dar conta todos os dias.

A maternidade muda muita coisa silenciosamente, e mesmo sem perceber, a gente continua sendo quem é… mas por muito tempo deixa de se acessar.

Como se uma parte ficasse guardada, quieta, esperando.

E naquele jantar, entre uma conversa e outra, eu me lembrei de uma versão minha que ainda existe, só estava em silêncio.

A menina sorridente, um pouco acanhada no começo, mas que gosta de conversas sinceras e de pessoas que são de verdade.

Talvez a gente precise mais disso do que admite, não de grandes pausas, mas de pequenos retornos, de momentos íntimos, mesmo que simples, um tempo só nosso que, no fundo (ou até no raso), a gente sabe quando precisa.

Então, se puder, se permita esse respiro. Sem cobrança. Sem pressa a sua versão ainda está aí, ela não foi embora, só estava esperando você voltar.

Você também sente isso, às vezes?

 

Por: Alhinne Gabriel